Quarta-feira, Agosto 17, 2005

O Mundo Perdido

"(...) sou demasiado imaginatico para ser, de facto, corajoso. Mas, por outro lado, o que mais receio é parecer ter medo."
in O Mundo Perdido de Sir Arthur Conan Doyle
Eu, Ninguém
Saudações Literárias.

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Depois de um tempo ausente, ressurgimos, quais Fénix!...
Literatura, Ler, Livros... estamos de volta!!

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Domingo, Abril 17, 2005


"-A música torna os sentimentos suportáveis porque lhes dá forma e beleza. É assim que nos acalmamos, mesmo que a música seja triste ou desesperada. Com certeza que sentiste o mesmo, Leela. O que é que achas que secou as tuas lágrimas?".

in Aroma de Radhika Tha
Eu,Ninguém
Saudações Literárias

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Terça-feira, Março 22, 2005

Dia Mundial da Poesia

Ontem foi Dia Mundial da Poesia por isso deixo-vos um poema de Álvaro de Campos que eu considero particularmente interessante, não pela sua linguagem rebuscada, mas sim pelo seu contéudo muito verdadeiro :D
( Lê com atenção Eu, Ninguém ;) )

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21-10-1935
EstrelaDaTarde

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Quarta-feira, Março 02, 2005

"O Sétimo Juramento" de Paulina Chiziane

A vida é como a água, nunca esquece o seu caminho.
A água vai para o céu mas volta a cair na terra.
Vai para o subterrâneo mas volta á superficie.
A vida é um eterno ir e voltar.
O corpo é apenas uma carcaça onde a alma constrói a sua morada.......
"O Sétimo Juramento" de Paulina Chiziane
EstrelaDaTarde

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Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005

Brincar com os Sons

Todos nós temos um conhecimento intuitivo dos sons que fazem parte da nossa língua. Por isso, facilmente conseguimos aceitar palavras que não têm significado mas que sonoramente obedecem ao padrão da nossa língua.
Deixo-vos a tradução para português de Throught the Looking Glass de Lewis Carroll, onde nos sentimos tentados a pegar num dicionário e ir ver o significado de algumas destas palavras, a verdade é que elas não existem em português.

FALABALÁQUEO
Jantar era a hora, e suavérgicos textualhantes
girandatéis e esburaquintes emontágua estão;
Todos inflágeis e papalrantes,
Fora lar os tarugorcos que grichiando lá vão.
"Cuidado com o Falabaláqueo, meu filho"
Com as mandíbulas que mordem,
com as garras que rasgam!
Cuidado com o pássaro Dô-Dô; evita o trilho
Do furibundoso Bandode Trágam!
O filho agarrou na espada transvorpal.
E buscou longo tempo o bricho manxindo -
Sob a árvores Tam-Tam descansou afinal,
De pé ficou instantum reflectindo.
Enquanto em rebrusca cisma perdido estava,
O Falabaláqueo, olhos de flamejantes,
Bofanteveio pelo bosque tojoclava,
Murburando palavras estrigitantes.
Um dois! Um, dois! E cortifurante
A espada fez frôu-catafrôu!
Deixou-o morto, e levando a cabeça
O filho galumfante regressou.
"E tresmataste o Falabaláqueo?
Vem aos meus braços, meu filho refulgente!
Oh dia magnificoso! Caláúm! Calái!"
Cantecorou o pai alegremente.
Jantar era a hora, e suavérgicos textualhantes
girandáteis e esburaquintes emontágua estão;
Todos inflágeis e papalrantes,
Fora lar os tarugorcos que grichiando lá vão.
EstrelaDaTarde

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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005

"É uma coisa estranha, mas das coisas que são boas de ter e dos dias que são bons de passar, depressa se fala e pouco se ouve; enquanto as coisas que são desconfortáveis, palpitantes e até sinistras, podem dar uma boa história e levar muito tempo a contar."

in O Hobbit de J.R.R.Tolkien
Eu.Ninguém

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Sexta-feira, Janeiro 28, 2005


Sim, sei bem
Que nunca serei alguém
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

in Odes de Ricardo Reis
Saudações Literárias
Eu,Ninguém

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Sábado, Janeiro 15, 2005

"Pedi tão pouco à vida e esse pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do Sol, um campo, um bocado de sossego com um bocado de pão, não me pesar muito o conhecer que existo, e não exigir nada dos outros nem exigirem eles nada de mim.
Isto mesmo me foi negado, como quem nega a esmola, não por falta de boa alma, mas para não ter que desabotoar o casaco."
in O Livro do Desassossego de Bernardo Soares (a.k.a. Fernando Pessoa)
Eu, Ninguém
Saudações Literárias

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Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Recordações

"-A minha mãe sempre disse que as recordações são sementes que se transformam em grandes árvores de um dia para o outro, impedindo-nos de ver o futuro."

in Aroma de Radhika Tha

Concordam?



Eu, Ninguém

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